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Encuentro internacional y ocupación del Congreso Nacional marcan el primer día de la III Marcha de Mujeres Indígenas

por | set 11, 2023 | Notícias | 0 Comentários

Começou nesta segunda-feira, debaixo de um céu azul na capital federal, a terceira edição da Marcha das Mulheres Indígenas. Realizado em Brasília, o evento deste ano vem com o tema “Mulheres Biomas em Defesa da Biodiversidade pelas Raízes Ancestrais”.  O encontro reúne mulheres indígenas de todo o país para fortalecer a atuação delas nos espaços de tomada de decisão, além de debater os desafios e propor diálogos de incidência na política indígena do Brasil.

Acampadas no gramado em frente à Torre de TV, ponto turístico no centro de da cidade, as mulheres colorem a paisagem com seus cocares, artesanatos e penachos. Este ano, a Marcha traz de forma central a ideia de corpo-território, destacando o conceito de mulheres-bioma. O objetivo é disseminar o entendimento de que os corpos e a existência das mulheres indígenas são diretamente atravessados pela violação dos territórios. Da mesma forma, todas as formas de violência contra as mulheres indígenas, também refletem em prejuízos na preservação ambiental.

A Marcha é organizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), uma iniciativa apoiada pelo ELAS+ Doar para Transformar por meio do edital Mulheres em Movimento. Braulina Baniwa é cofundadora da ANMIGA e destaca a importância das mulheres indígenas serem protagonistas na discussão sobre justiça ambiental.

O Estado não pode pensar em projetos sem falar com a gente, sem nos colocar como protagonistas nesse processo de proteger nossos corpos-territórios, os biomas brasileiros. Quando não temos nossa terra demarcada, as primeiras que sentem são nossas mulheres e nossas crianças. Estamos aqui, somos as primeiras brasileiras, precisamos desse respeito. Estamos aqui por nós, por aquelas que nos antecederam e por aquelas que virão. Nunca mais um Brasil sem nós”. Braulina Baniwa

Reflorestando o Congresso

Um dos eventos mais aguardados pelas mulheres no primeiro dia da Marcha, a sessão solene “Reflorestando o Congresso” reuniu 500 mulheres indígenas na Câmara dos Deputados para debater as demandas centrais dos povos originários. Dezenas de mulheres, representando todos os biomas brasileiros – Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal – subiram na tribuna do plenário para pontuar as necessidades urgentes, especialmente relacionadas à biodiversidade e às emergências climáticas.

Primeira indígena a presidir a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), Joenia Wapichana estava presente na sessão e falou sobre a necessidade de garantir recursos financeiros para a luta das mulheres.

É importante nós reafirmarmos nosso direto, e é importante também que tenham ações para implementações. E começa por aqui [Congresso Nacional]: investimento, orçamento para fazer com que os povos indígenas sejam autônomos na construção do seu bem-viver.” Joenia Wapichana

 

Mulheres indígenas em sessão solene na Câmara dos Deputados (Bruno Spada / Câmara dos Deputados)

 A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, foi recebida com muitos aplausos e chocalhos quando chegou ao plenário. No discurso, ela fez um retrospecto sobre as edições anteriores da Marcha das Mulheres Indígenas, lembrando que o objetivo é a transformação da sociedade.

Não é apenas um tema. É uma luta pela nossa existência, é uma luta pela nossa vida. É muito importante essa presença em Brasília, é muito importante essa Marcha, que é esse reencontro, essa troca de energias que nos fortalece. Não queremos apenas ocupar um cargo, queremos provocar mudanças na sociedade e na institucionalidade para que possam compreender que somos mulheres diversas e temos tradições diferentes”. Sonia Guajajara

 

Marcha internacional

Além de aglutinar a luta das mulheres indígenas brasileiras, a Marcha deste ano reúne línguas indígenas do mundo todo. Uma delegação com 30 mulheres indígenas de todos os continentes está presente para debater um plano de ação, com base na Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU).

No ano passado, a comissão de mulheres indígenas da CEDAW conseguiu aprovar a Recomendação Geral 39, que dispõe sobre as obrigações gerais dos Estados signatários em relação aos direitos humanos das mulheres e meninas indígenas, como o direito à igualdade e à não-discriminação, o acesso à justiça, o direito à participação efetiva na vida política e pública, à nacionalidade, à educação, ao trabalho, à saúde e à cultura.

A delegação internacional presente na Marcha é formada por mulheres indígenas africanas, asiáticas, latinas, norte-americanas e também de etnias da Oceania, de países do leste europeu, como a Rússia, e de países nórdicos, como a Finlândia. Mulheres que são lideranças políticas nos territórios, algumas possuem mandato eletivo nos países onde vivem.

Monica Chuji, da etnia Kichwa, mora na região amazônica do Equador e é diretora da América Latina do Indigenous People Right International. Ela comemora esse encontro internacional no Brasil e acredita que é um caminho importante para a construção de uma agenda global das mulheres.

“A luta das mulheres indígenas do Brasil é a luta de todas as mulheres do mundo. É importante para nós conhecer mais lideranças de todos os territórios brasileiros, para juntas construirmos uma agenda global”. Monica Chuji

De acordo com estimativas da ONU, existem 238,4 milhões de mulheres e meninas indígenas em todo o mundo, presentes em cerca de 90 países e pertencentes a cinco mil povos diferentes.

A III Marcha das Mulheres Indígenas acontece até o dia 13 de setembro, com programação diária no centro de Brasília.