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Seguimos a série Trabalhadoras Domésticas: Direitos e Desafios – Uma Conversa com Creuza Oliveira, que desde o dia 27 de abril, Dia da Trabalhadora Doméstica, traz entrevistas com Creuza Maria Oliveira, secretária geral da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e grande liderança da categoria.

 
 
No terceiro bloco conversamos sobre os principais desafios à mobilização das trabalhadoras domésticas, a crescente visibilidade de suas pautas e parcerias que têm fortalecido essa importante luta por direitos e justiça social.
 
Saiba mais com a Creuza Oliveira:
 
Desafios à mobilização das trabalhadoras domésticas 
 
A organização das domésticas é muito difícil por sermos majoritariamente mulheres negras com baixa escolaridade. Antigamente era ainda pior, porque as trabalhadoras domésticas moravam na casa dos patrões, existia aquela relação típica da Casa Grande e Senzala, em que a trabalhadora estava sempre à disposição, a qualquer momento que o patrão demandava. 


A categoria está dispersa. Cada uma trabalha em uma residência e é difícil para nós sindicalistas, termos acesso ao local de trabalho para distribuir os informativos. As outras categorias de trabalhadoras e trabalhadores encontramos nas empresas, nos refeitórios, as pessoas trabalham juntas, etc. A trabalhadora doméstica está dentro da casa isolada e é difícil acessá-la.   


Temos feito malabarismo para conseguir chegar perto dessas trabalhadoras, que foram ensinadas que a mulher não faz política, que sindicalismo é coisa de homem, não de mulher. Tentamos chegar por meio das escolas públicas noturnas, onde estão as trabalhadoras domésticas que estudam à noite. 


Outro espaço são os pontos de ônibus pela manhã logo cedo, quando estão indo para o trabalho, nos  bairros de classe média, condomínios de luxo, etc,  ou final da tarde, quando estão retornando para casa.
 
Valor social do trabalho doméstico 


A outra dificuldade é conscientizar a categoria de que a função que ela exerce é trabalho. Trabalho doméstico é profissão, não é coisa de favor, é profissão digna como qualquer outra. Mas essa trabalhadora muitas vezes não têm consciência da importância do seu trabalho, que é um trabalho que gera saúde, educação, bem estar, que repõe a força do outro trabalhador que deixa a sua casa na mão dela. Essa mulher está cuidando dos filhos, da comida, da limpeza, além da segurança – de todo o

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